Regulação em Educação
“Regulação é um
processo constitutivo de qualquer sistema e tem como objetivo assegurar o
equilíbrio, a coerência e também a transformação desse mesmo sistema (...).
Esse processo compreende não só a produção de regras que orientam o
funcionamento do sistema, mas também o (re) ajustamento da diversidade de ações
dos atores em função dessas mesmas regras” (BARROSO, 2005, p.733).
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| Tipos de regulação segundo Barroso (2005) |
Na
análise ao conceito, segundo Almeida (2005) existem várias correntes disciplinares
(económico, sociológico, cibernético). No entanto guiar-nos-emos pelas três
dimensões de Reynaud (como citado em Almeida, 2005, p.5):
Regulação
de controlo (institucional e normativa): Conjunto de ações perpetuadas por
uma instância com autoridade com o objetivo de orientar as ações e as
interações dos atores.
Regulação autónoma (situacional e
ativa): processo que compreende a definição de regras e que se orientam e ajustam
ao sistema, mediante estratégias e ações utilizadas pelos seus atores.
Regulação conjunta: consiste na
interação da regulação de controlo e da regulação autónoma com o intuito da
produção de regras comuns.
O
conceito de regulação pode assumir vários significados, essa polissemia varia
consoante o contexto disciplinar ou linguístico adotado.
O
termo regulação surge associado ao debate sobre a reforma da administração do
Estado na Educação e na sua modernização. Isto acontece em países onde
predomina uma administração centralizada e burocrática, com o objetivo de
reforçar a imagem do Estado menos prescritivo. Uma administração pública
modernizada e de uma administração da educação pública que evolui, que
substitui o controlo direto sobre os processos, por um controlo a posteriori baseada nos resultados. É o
reconhecer, um novo papel do Estado regulador e avaliador que define os alvos a
atingir através das orientações, monitorizações e avaliações. Os níveis
intermédios e locais assumem um papel preponderante.
Segundo
Barroso (como citado em Almeida, 2005, p.5) a regulação do Sistema Educativo é “um
processo compósito que resulta mais da regulação das regulações, do que do controlo
direto da aplicação de uma regra sobre a ação dos regulados”.
Barroso
(2005) afirma que a noção de “equilíbrio” e “coerência” são problemáticos devido
à multiplicidade de processos e põem em causa a existência de “um sistema
nacional” de ensino.
Com
a entrada de Portugal na União Europeia em 1986, houve mudanças a nível do
sistema Educativo que teve influência histórico-politico do país mas também, e
principalmente, com a mudança dos contextos globais. As repercussões foram visíveis
com a separação entre Administração e Gestão, onde a transferência de
competências e responsabilidades deu lugar a Regiões autónomas. Os serviços regionais
ficaram assim como interlocutores privilegiados dos administrados.
No
plano funcional este modelo fragmentou-se e trouxe constrangimentos ao sistema,
embora no seu plano concetual e ideológico a descentralização fosse o pressuposto.
Mas em prol da segurança administrativa, em nome da eficácia e normalidade de
funcionamento, houve uma centralização através de cláusulas de reserva, de
comissões de acompanhamento e de omissões de regulamentação jurídica. “As leis
orgânicas, os costumes, os credos culturais e a ausência de tradição
participativa da sociedade portuguesa contribuíram juntos, para manter a
herança cultural burocrática, revelando a incapacidade da máquina
administrativa se auto-reformar.” (Ramos, p.64)
“Espaço Europeu de Educação”
Portugal,
como membro da União Europeia tem vindo a sofrer influências das políticas
respeitantes à Educação. Esse conjunto de pressões e problemas que, segundo
Azevedo (2007, p.37-38), circulará por três canais: “(i)as pressões políticas
ao nível da União Europeia e a sua influência sobre as reformas nacionais ,
(ii) as subsequentes mudanças efetivas nas políticas nacionais de ensino e de formação e (iii) as reais
adaptações nas diversas estruturas dos sistemas educativos nacionais”.
Na
assunção que somos uma sociedade global e que influenciamos e somos influenciados,
ao nível da educação (Espaço Europeu de Educação) encontrou-se um grande
desafio a vários níveis e percecionado por Dale (2008).
Político-económico;
Organização; Implicação; Capacidade de resposta; Valor atribuído aos sistemas
educativos
Assim
como refere Dale (2008:15), as quatro componentes da arquitetura dos sistemas
educativos para um “Espaço Europeu de Educação “(EEE), são: a modernidade; o capitalismo, a ”gramática”
da escola e a relação da Educação com as sociedades nacionais. A constituição
do EEE dependerá da relação do Estado com estas componentes e da forma como os
cidadãos (atores do sistema educativo) reagem e respondem aos desafios que lhes
são lançados para a construção de uma Europa como entidade.
A declaração de Lisboa 2000, veio
gerar mudanças significativas do envolvimento da União Europeia na política
Educativa. Foram redigidos uma série de Objetivos Futuros, concretos e específicos
ao nível da comunidade e não ao nível de cada Estado Membro. A Europa é vista
como um espaço de governação educacional, que cria condições e afirma
necessidades, fornecendo mecanismos de forma a viabilizá-la (MAC – Método Aberto
de Coordenação). Este
método, como relata o Boletim sobre as Conclusões da Presidência Portuguesa,
visa apoiar os Estados Membros a progressivamente desenvolverem as suas
próprias políticas.
Um
dos focos centrais, da Declaração de Lisboa 2000, foi a Aprendizagem ao longo
da vida, e é um dos elementos mais relevantes do EEE, “a aprendizagem ao longo
da vida já não é um mero aspeto da educação e formação; mas tem de tornar-se no
princípio orientador da participação ao longo de todo o contínuo dos contextos
de aprendizagem” (Dehmel, 2006: 54; in
Dale, 2008:27).
Perspetivo
que estamos no bom caminho, mesmo tendo consciência que há muito por fazer, e é
com desafios que poderemos como intervenientes ativos no processo ajudar a construir,
moldar e repensar a Regulação e a Educação.
Bibliografia
Almeida, A. P. (2005). Os fluxos
escolares dos alunos como analisador dos modos de regulação local do Sistema
Educativo. In: Dissertação de
Mestrado. Lisboa: FPCE, Consultado em 19/01/2015 http://elearning.uab.pt/mod/resource/view.php?id=127604
Azevedo,
J. (2007). Sistema educativo mundial. Ensaio sobre a regulação transnacional da
educação. Vila Nova de Gaia: Fundação Manuel Leão.
Barroso, J.
(2005). Políticas Educativas e Organização Escolar. Lisboa,
Universidade Aberta.
Dale, R.
(2008). Construir a Europa através de um Espaço Europeu de Educação. Revista
Lusófona de Educação, consultado em 20/01/2015 - http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/rle/n11/n11a02.pdf
Ramos, C.
(n.d). Regulação dos Sistemas Educativos. O Caso Português. Consultado
em 20/01/2015 - http://elearning.uab.pt/mod/resource/view.php?id=127601

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