Avaliação dos sistemas educativos da
União Europeia
Com a entrada de Portugal na União Europeia (UE),
houve grandes transformações a vários níveis (político, ideológico, social,
económico e cultural). A era da modernização tentava encurtar o atraso de
Portugal com os padrões dos outros Países da União e do mundo. No entanto as
grandes transformações dos sistemas educativos estão permeabilizadas às
dinâmicas de evolução de cada sociedade. A unificação educativa é um desafio
para os países da UE, no entanto à que perpetuar a singularidade de cada estado
(o seu passado e as suas tradições).
A avaliação surgiu e desenvolveu-se na área das
políticas públicas, com o objetivo de apreciar a eficácia de uma política
através da comparação dos resultados com os objetivos pretendidos e com os
recursos disponíveis. A avaliação no sistema educativo, seja formal ou
informal, permite constatar processos e tomar decisões com o intuito de as
melhorar.
A
avaliação tem uma variedade de propósitos e segundo (Fernandes,
2013)
a)
apoiar a tomada de decisões;
b)
servir a prestação pública de contas;
c)
melhorar práticas e procedimentos;
d)
compreender problemas de natureza social, contribuindo para a identificação de
soluções possíveis;
e)
compreender as experiências vividas por quem está envolvido numa dada prática
social; e
f) acreditar e reconhecer programas.
Com a introdução e aplicação de estudos sobre avaliação, pôde-se
assegurar que se atingiam os padrões de desempenho e que garantiam a qualidade
e o sucesso educacional.
Mas não é pacífico o tema, pois mesmo havendo métodos e
procedimentos, semelhantes às mesmas utilizadas nas disciplinas das ciências
sociais, ainda não existe consenso. “As dimensões valorativas, éticas e
políticas da avaliação contribuem para que se ergam obstáculos ao seu cabal
reconhecimento como disciplina científica, apesar de poder ser escrutinada e
analisada com base em critérios normalmente utilizados em ciência”. (Fernandes
2013)
Cada país da UE, e segundo (Fernandes 2013) com mais ou menos
semelhanças, mantém a sua singularidade a vários níveis dos sistemas educativos
- graus de autonomia concedido aos estabelecimentos de ensino; níveis de
centralização ou valores da escola – que condiciona e apresenta uma grande
diversidade nos modelos de avaliação.
Segundo PISA 2000 (Programa Internacional do OCDE para
Controle da Aprendizagem) podemos distinguir três
modelos de avaliação: Modelo Inglês; Modelo Francês; Modelo Finlandês.
O Modelo concorrencial
inglês – Modelo inglês sem a Escócia, onde o
Ministro da Educação criou dois organismos, responsáveis pela avaliação do
sistema educativo: o Office for Standards
in Education, que define e controla a inspeção dos estabelecimentos. O Qualifications and Assessment Authority,
que elabora os programas e a avaliação das aprendizagens, dos resultados dos
exames e das avaliações específicas. Posteriormente, produzem informações a
respeito dos estabelecimentos, de forma a esclarecer/informar as escolhas dos
pais da ação educativa das coletividades locais.
É um modelo muito descentralizado, onde é fomentado a concorrência
entre estabelecimentos, para a livre escolha dos pais. Os resultados PISA 2000,
colocam em segundo lugar da classificação de resultados onde são medidas as
competências na leitura, matemática e ciências. É um sistema fortemente
regulado pela avaliação.
O Modelo de “interesse
geral” francês
O Ministério da Educação é responsável pelas duas vertentes do
sistema educativo: Inspeção e Administração. A primeira assegura a avaliação
profissional dos docentes e das formações, a segunda avalia os estabelecimentos
escolares e o funcionamento administrativo do Ministério. Toda esta avaliação é
sobretudo qualitativa. Posteriormente a Direção de Programação e do
Desenvolvimento, estabelece uma avaliação quantitativa do sistema educativo com
base em um sistema estatístico (reconhecido como sendo um dos mais fiáveis na
Europa). Em 2000, foi criado o Alto Conselho da Avaliação da Escola, que de uma
forma independente e transparente, dar informação sobre a escola para um debate
público de qualidade. Em prol de formar igualitariamente o futuro cidadão, a
escola deve assumir-se como um espaço autónomo, vinculado unicamente à dimensão
nacional, onde nem as particularidades locais, nem as distinções sociais são legítimas.
Os resultados PISA 2000, colocam os alunos franceses numa posição
um pouco superior à média da EU – sétimo em leitura, quarto em matemática e sexto em ciências, atrás da Finlândia e da Grã-Bretanha.
O modelo finlandês –
compromisso entre a eficácia e a igualdade
A Finlândia instaurou nos anos 90, um sistema de avaliação muito
elaborado. A lei obriga a avaliação em todos os níveis de educação, além deste
enquadramento, o que carateriza o sistema é a importância dada à autoavaliação.
O Conselho Nacional de Educação, desenvolve a autoavaliação dos estabelecimentos
de ensino, focados em modelos próprios dos estabelecimentos, onde constam os
valores da comunidade educativa, o conhecimento dos seus recursos próprios e as
expetativas dos atores exteriores à escola. É integrado um conjunto de indicadores,
referentes à eficácia funcional do estabelecimento, sua responsabilidade
financeira e os resultados escolares e culturais obtidos. É um modelo muito
descentralizado, acompanhado por uma avaliação externa. Segundo Fernandes (2013,
p.7), “Os
resultados da pesquisa PISA 2000 confirmam que, em comparação com outros países,
as boas aquisições dos alunos finlandeses se submetem a uma influência mais
fraca da origem social. Encontramos aí elementos do “modelo social nórdico”. Onde
o objetivo do sistema é a igualdade.
Existe
uma tendência geral na Europa para a avaliação, onde as organizações educativas
encontrem e legitimem os seus procedimentos. Segundo Fernandes (2013, p.13) a OCDE, demonstrou neste últimos anos informações tecnicamente sólidas, ricas em ensinamentos e produtoras de mutualização de experiências, levando a Ministra
Alemã a afirmar, e após resultados publicados de nível médio do seu sistema educativo: “PISA mostra-nos o caminho a seguir”.
No
entanto, ainda existem muitos constrangimentos que não põem em causa o sistema
mas que o atrasam, a avaliação dos sistemas educativos está em marcha, falta
igualar a Equidade, Qualidade e Eficiência pata toda a Europa.
Alguns constrangimentos:
“Apenas cerca de um em 10 das 450 diferentes
reformas postas em prática entre 2008 e 2014 foram
avaliadas quanto ao seu impacto por
parte dos governos entre o seu
lançamento e a publicação deste
relatório”. (OCDE 2015)
Figura 1 -
Investimento Financeiro na Educação da UE
Constatações
elaboradas pela União Europeia relativa ao Programa Nacional de Reformas
para
2014 de Portugal (02.06.2014)
Portugal realizou progressos
significativos na reforma do seu sistema de ensino mediante a adoção de várias
medidas destinadas a combater o abandono escolar precoce, a aumentar a taxa de
sucesso no ensino superior e a adaptar as competências ao mercado de trabalho.
No entanto, continua a ser de importância crucial a plena aplicação da reforma
e a utilização eficiente do financiamento. É, em especial, necessário continuar
a trabalhar no sentido de reduzir a falta de correspondência das competências
face às necessidades do mercado de trabalho, nomeadamente melhorando a
qualidade e a capacidade de atração do ensino e formação profissionais,
incluindo a dupla ensino e formação profissionais, promovendo a participação
dos empregadores na concepção dos seus programas e na prestação de aprendizagem
e formação no trabalho adequadas. Há também necessidade de uma implementação
eficaz de serviços de aconselhamento e orientação profissional para estudantes
dos ensinos secundário e superior em consonância com as necessidades do mercado
de trabalho e a antecipação das competências necessárias, bem como o reforço
das ligações com o setor empresarial.
Recomendações da
União Europeia para Portugal
“Melhorar a
qualidade e relevância do sistema de ensino para o mercado de trabalho, a fim
de reduzir o abandono escolar precoce e abordar a questão das baixas taxas de
desempenho do ensino. Assegurar a eficiência das despesas públicas no setor da
educação e reduzir a falta de correspondência das competências relativamente ao
mercado de trabalho, designadamente melhorando a qualidade e a capacidade de
atração do ensino e formação profissionais e incentivando a cooperação com o
setor empresarial. Reforçar a cooperação entre a investigação pública e a setor
empresarial e impulsionar a transferência de conhecimentos”. (Comissão
Europeia, 2014)
Bibliografia
Comissão europeia (2014) http://ec.europa.eu/europe2020/pdf/csr2014/csr2014_portugal_pt.pdf
- Acedido a 29/01/2015
Fernandes,
D. (2013) Ensaio: Avaliação em Educação: uma discussão de algumas questões
críticas e desafios a enfrentar nos próximos anos. Rio de Janeiro, v. 21, n.º
78, p. 11-34. Repositório Universidade Aberta.
OCDE
(2014) Recomendação do Conselho relativa
ao Programa Nacional de Reformas para 2014 de Portugal e que formula um parecer
do Conselho sobre o Programa de Estabilidade para 2014 de Portugal http://ec.europa.eu/europe2020/pdf/csr2014/csr2014_portugal_pt.pdf -Consultado em 28/01/2015
OCDE
(2014) http://www.oecd.org/edu/highlightsportugalpt.htm - Consultado em 28/01/2015
OCDE (2014)
Perspetivas das Políticas Educacionais - Portugal http://www.oecd.org/edu/EDUCATION%20POLICY%20OUTLOOK_PORTUGAL_PRT.pdf – Consultado em 29/01/2015
Roggero,
P. (2002). Avaliação dos sistemas Educativos nos Países da União Europeia: de
uma necessidade problemática a uma prática complexa desejável. In: EccoS Revista
Científica n.º 2, vol. 4, pp- 31/46. S. Paulo, Brasil. Disponível em http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=71540203.
Consultado em 28/01/2015


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